Como posso saber o que fazer
Se tudo que faço está errado?
Se amo, amo errado
Se odeio, é pecado
Se luto, sou ruim
Se me entrego, estou cego
Se não vou, sou frouxo
Se vou, sou um tolo.
Cada passo que dou é o errado,
Direita ou esquerda...
Faça eu o que fizer...
Estou sempre equivocado.
É impressionante como cada ato meu
Tem a capacidade inigualável de magoar alguém,
Mas quando sou eu que estou ferido...
Nunca aparece ninguém!
Como é possível que cada gesto meu,
Cada respiração que tenha,
Possa ser uma ofensa?
Em um mundo onde ninguém pensa!
Vivo em um mundo insensato, rodeado por coitadinhos...
Na hora de farrear são grandes homens...
Agora pra assumir as consequências de seus atos...
Não passam de menininhos.
Ai daquele que disser o que pensa,
Ai daquele que não dançar a valsa,
Tocada por essa corja falsa
De ratos vigaristas.
Vivo rodeado por grandes homens,
Que não sabem o que de fato significa ser homem.
Vivo rodeado por pessoas incríveis,
Um bando de insetos de almas insensíveis.
Mas como posso eu me igualar
A esses grandiosos seres
Que tão belamente sabem falar,
E que tão lindamente são capazes de dançar.
Não importa quão sensata seja minha palavra
Minha sinceridade é rude...
Mas a hipocrisia sim,
Essa sim tem grande classe.
Ai como eu seria um ser humano melhor...
Se fechasse meus olhos pro que há a meu redor.
Ai como eu seria bem mais interessante,
Se me tornasse só mais um rato arrogante.
Ai eu poderia gritar
“EU lutei, EU estudei,
EU conquistei, EU fiz,
EU sou dono de meu nariz.”
Mas não sou assim,
Sou grosso, estúpido
Minha fala é áspera,
E não sei dançar valsa.
Nunca chegarei aos pés de vocês,
Nunca serei assim tão cortez...
Mas tenho olhos pra enxergar,
Pés pra caminhar...
E mais importante...
Tenho um coração que pode amar,
E por pior que eu seja!
Minha alma ainda pode rezar.
Giuseppe Celeste Junior
03 de setembro de 2011.